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O Circo Vórtice


A onda surgia violeta

sua capa gasosa sublinhava a crista nebulosa

a qual misturava-se às nuvens.

No deserto recém-formado

jaziam caravelas acidentadas.

Donzelas se autoincendiavam

para indicar a direção da praia.

O nimbo salino precipitou-se.

Os sobreviventes

ao seu alcance

ressecaram-se em múmias;

torciam os pés ao tentar caminhar e

cansados

inflavam os pulmões

para que o vento os levasse.

O tufão de farrapos foi ovacionado pelo público entediado

que,ansioso,construia incansavelmente pirâmides de areia.

 

Aonda arqueou-se

transformando-se numa cúpula

substituta do céu.

Ao tocar,com a crista,o solo da praia

solidificou-se.

 

Na parte interna da cúpula

constituiu-se uma civilazação:

raquítica e imunda

passava gerações tentando chegar ao céu

salpicado com mastros e troncos de mulheres nuas que penteavam seus cabelos.

De quando em quando

um mastro escapava para destruir uma pirâmide.

 

Na parte externa

vivia um velho padre.

Havia alcançado o paraíso

e dalí

facilmente tocava as estrelas.

Passava os dias e as noites de seus séculos

fodendo com deliciosos quadris e pernas avulsos.

Matava sua fome e sede

chupando estacas naturais de ossos carbonizados.

Os sinos de uma capela emitiam

de hora em hora

gritos de virgens

para afastar a solidão.



Escrito por cassius às 19h18
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O que sobrar de minha sanidade

confine nos olhos de um aviador noturno.

Embruteça-o com laços e cordas antigas

mostre a ele minhas táticas de auto-ilusão.

Ensine-o a andar de olhos fechados.

Conspirem.

Se descobrirem meus objetos de vidro

Apedrejem-nos.

A marca dos dentes

no braço magro e torpe

deverá ser preenchida.

Comunique-o das coisas de azar

minhas escadas ocultas

o patamar-neblina.

Por mais que ele insista em acolher minha cabeça

abrace-o e embale-o com alguma melodia destruidora.

 

Os destroços das asas

cairão sobre becos de urina.

Corpos urbanos,decapitados,

celebrarão em cirandas anoréxicas.

Contadores de histórias

cavalgarão tornados permanentes

bocas de lobo vomitarão crianças instantâneas e

um exército delas

invadirá sua casa para capturar sua esposa.

Jamais será esquecido o dia da alegria.  



Escrito por cassius às 19h35
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Menapolita

 

Quando eu deitar minha cabeça

nas partes íntimas da estátua-viva

Teus de dedos longos de listras perfeitas

conduzirão minha vista para a plataforma empoada

onde acamparei  as rugas de meus joelhos

e pregarei os gomos dos intestinos

construindo um sinalizador em forma de losango;no centro

farei uma reunião com os representantes das aves de rapina:

nos abraçaremos

espetando sob nossas asas

pares de sinos atômicos

para acordar nossa Imperatriz dos Olhos Negros

e ouvir a explosão de sua pupila que dilata-se

para dizer que não viemos em vão

procurar a destruição oferecida por teus abraços noturnos

os quais espero enquanto durmo.

 

Fazemos cócegas em teus calcanhares com as plumas mais suaves de nossas asas

cuja envergadura

põe em sombras qualquer campo de batalha;

Teu riso soluça

vemos o desfiladeiro de Teus dentes de titânio

Ela nos agradece a visita e

com lágrimas nos Olhos Negros

diz que Tuas mãos de dedos finos permanecerão

 uma agarrada à nossa nuca

e outra arregalando nossos olhos.

 

Com a chuva

derrete-se meu crânio de cera

e meu corpo funde-se ao sopro da Menina.

 

 



Escrito por cassius às 18h54
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Bom......como tem sido complicado para eu publicar regularmente meus desenhos,vou passar a postar também alguns textos meus,os quais,para mim,são como uma extensão dos trabalhos ilustrados.

Espero que,aqueles que por aqui passarem,apreciem do modo que acharem adequado.

 

TEXTO 01:

"Aura de nèon"

Nas ancas de uma prostituta

nasceram duas janelas

ambas descortinadas.

À noite

ouvia vozes metálicas

conspirando a confecção de uma teia,

cobriria o mundo

para descansar o Sol.

Seduziriam a todos com um manto negro.

 

Sonhava com uma festa

iluminada com quatro cavalos

cada um tomava seu canto do salão

ofereciam brigadeiros a odaliscas de cetim

cantavam em coro

riam-se da beleza de um espectro que circulava a piscina.

 

Acordava em uma poça de urina.

Pelo espelho via um homem nu.

Sentia saudades da homenagem

murmurava a canção

sentia por uma última vez o suor dos cavalos.



Escrito por cassius às 19h29
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Desenho novo finalmente!!!!

Ótimo exercício de colorização,baseado em uma referência fotográfica.

O "colete" e as calças foram feitos com tinta spray ,com alguns pontos realçados com lápis de cor;a máscara e parte do capacete com lápis de cor;o restante foi colorido com marcadores.



Escrito por cassius às 18h36
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Escrito por cassius às 18h48
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Escrito por cassius às 18h48
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Escrito por cassius às 19h34
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Escrito por cassius às 18h59
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Escrito por cassius às 18h57
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Escrito por cassius às 18h56
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desenho baseado no livro "Coraline" de Neil Gaiman

Escrito por cassius às 18h55
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Escrito por cassius às 18h54
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Escrito por cassius às 18h53
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Escrito por cassius às 18h53
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