A onda surgia violeta
sua capa gasosa sublinhava a crista nebulosa
a qual misturava-se às nuvens.
No deserto recém-formado
jaziam caravelas acidentadas.
Donzelas se autoincendiavam
para indicar a direção da praia.
O nimbo salino precipitou-se.
Os sobreviventes
ao seu alcance
ressecaram-se em múmias;
torciam os pés ao tentar caminhar e
cansados
inflavam os pulmões
para que o vento os levasse.
O tufão de farrapos foi ovacionado pelo público entediado
que,ansioso,construia incansavelmente pirâmides de areia.
Aonda arqueou-se
transformando-se numa cúpula
substituta do céu.
Ao tocar,com a crista,o solo da praia
solidificou-se.
Na parte interna da cúpula
constituiu-se uma civilazação:
raquítica e imunda
passava gerações tentando chegar ao céu
salpicado com mastros e troncos de mulheres nuas que penteavam seus cabelos.
De quando em quando
um mastro escapava para destruir uma pirâmide.
Na parte externa
vivia um velho padre.
Havia alcançado o paraíso
e dalí
facilmente tocava as estrelas.
Passava os dias e as noites de seus séculos
fodendo com deliciosos quadris e pernas avulsos.
Matava sua fome e sede
chupando estacas naturais de ossos carbonizados.
Os sinos de uma capela emitiam
de hora em hora
gritos de virgens
para afastar a solidão.
Escrito por cassius às 19h18
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